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John Humphrey foi entrevistado por um site de música da república Tcheca. Confira na íntegra...



O Seether, muitas vezes comparado ao Nirvana, surgiu no ano de 1999 em Pretoria, na África do Sul. Logo obtiveram um maior crescimento no cenário Grunge e no Rock Alternativo. Já nos EUA, sob pressão da gravadora, a banda foi obrigada a mudar o nome Saron Gas, similar ao Gás Sarin, que após o 11 de Setembro, se tornou inadequado aos olhos comerciais por se tratar de um agente letal que ataca o sistema nervoso do ser humano. Foi então que surgiu o nome Seether, em uma homenagem a uma canção de mesmo nome da banda Veruca Salt.


Dali por diante, nada mais estava entre eles e o seu público, predominantemente jovem, que sentia-se orfão após o suicídio do ícone grunge, Kurt Cobain.

Em Novembro de 2013 a banda fez a primeira passagem pela República Tcheca, e agora, após uma turnê Europeia, o baterista John Humphrey concedeu uma breve entrevista, no fim do ano passado, a um portal de música da Tcheco.

P: Você está satisfeito com a turnê na Europa? Você sente muita diferença na forma como as pessoas reagem a sua música aqui e no exterior? A América ainda é mais receptiva ao Grunge e ao Rock Alternativo?
JOHN: As pessoas que vem no nosso show, elas vem porque elas gostam da nossa música, é por isso que estão lá. Então em todos lugares a recepção é boa. A única diferença é que na América os lugares em que tocamos são um pouco maiores. Mas precisamos construir nossa base de fãs internacionais. É por isso que sempre viemos para a Europa nos últimos três anos. O contato com os fãs é algo essencial. A única diferença, é que dessa vez nós voltamos para uma turnê acústica. Também foi importante a escolha dos lugares em que tocamos. Tocamos em uma Igreja e em uma capela magnífica na Grã-Bretanha, além de um clube em Amsterdã. Essa é uma rotina diferente. Que não se pode lucrar tanto, mas acho que no momento as canções foram expostas as emoções do Shaun, e o arranjo acústico caiu muito bem. 

P: Você também tá usando um equipamento diferente do habitual. O que mudou pra você especificamente?
JOHN: Sim. Eu não preciso usar as baquetas habituais pra solo. Então uso algo mais macio e uma baqueta de metal. Eu toco mais leve do que normalmente. Eu to tentando me adaptar a uma mudança musical.

P: Qual é o seu equipamento?
JOHN: Desde 2012 eu sou patrocinado pela Ludwig. Eu tenho um conjunto clássico Ludwig. Os Stencils são da Evans. Durante anos eu uso os pratos Sabian Cymbals e baquetas Vic Firth.

A esq. John na época do The Nixons
P: Você costumava tocar no The Nixons, que é uma banda parecida com o Seether. No entanto, o que mudou pra você?
JOHN: Eu sempre tentei a cada ano, a cada álbum, melhorar como baterista. Pra mim o The Nixons foi algo muito importante. Eu aprendi muito com eles, ganhei uma grande experiência. Então a minha transição para o Seether foi algo relativamente fácil. Embora eu ache que no Seether eu tenha que tocar músicas um pouco mais dificeis, em alguns aspectos. Mas é importante para o lado musical você desenvolver algo constantemente e compartilhar isso com seus colegas bateristas e até com seus produtores. Acho que o maior desafio é tentar tocar sempre da melhor forma, isso claro, de acordo com as suas habilidades. Na música não é possível se estagnar. Eu nunca passei por um momento de "EGO" do tipo: "Ah, eu sou o melhor". E na verdade, é bom que eu continue assim. 

P: O que te atraiu no Seether? Você sentiu alguma possibilidade, talvez de alguma mudança na carreira?
JOHN: O primeiro impulso foi simplesmente trabalhar. Nós tínhamos um amigo em comum, que era engenheiro de som, ele havia trabalhado para o The Nixons e em 2002 começou a trabalhar com o Seether. Então eles me convidaram para fazer um teste. Então eu fui lá. Me preparei bem. Eu sabia de cor todo o álbum Disclaimer (2002), cada detalhe, de cada canção. Eu não sabia o que esperar, então eu quis estar pronto para tudo. Felizmente pra mim, embora eu tenha feito o teste com outros bateristas, eu acabei sendo o único a se tornar membro do grupo. Claro, eu poderia ter tocado com outros músicos, mas os caras trabalharam duro e tinham uma alta ética de trabalho, e isso me convenceu a ficar com eles. Acredite em mim, nós trabalhamos como escravos. Mesmo quando não estamos gravando ou fazendo turnê, nós trabalhamos. É necessário.

P: Eu sei que você também ama as letras do Shaun.
JOHN: Sim, eu realmente gosto. Na verdade, pra música em si isso é só um complemento, mas tão importante quanto a própria música.

P: Você gostou de trabalhar com os meninos que vieram de outro país, com diferentes experiências de vida?
JOHN: Pra mim, de qualquer maneira não muda nada. Pelo contrário, eu venho da parte sul dos EUA, então temos um estilo de vida muito parecido. É como se a África do Sul fosse um detalhe.

( No início da carreira, o Seether trabalhou ao lado do Evanescence. Onde atingiram o auge da glória. Fizeram sua primeira turnê mundial. Eles haviam acabado de reformular seu grande hit, Broken. A balada acústica havia tomado uma nova dimensão, não só pelas guitarras, mas principalmente pela participação da cantora Amy Lee do Evanescence. Ao lado de Sold Me, ela apareceu no filme The Punisher (O Justiceiro). Foi aí que nasceu o amor entre a cantora gótica e o vocalista Shaun Morgan. O relacionamento terminou após dois anos, com uma separação conturbada. A razão para isso, de acordo com os músicos foram os vicios do líder do Seether. Mais tarde, Amy Lee escreveu uma canção para o ex-namorado, chamada Call Me When You're Sober. Quase que instantaneamente, Shaun deu sua resposta através da música Breakdown. Ao contrário de Amy, ele foi mais ponderado: "Eu prefiro ser mais vago e manter o respeito", falou o músico)

P: A África do Sul não é um país tradicional no cenário do Rock, principalmente no Grunge. Embora os nativos tenham um enorme orgulho do Seether, eu acredito que, eles não possuem uma gestão profissional, produtores experientes, bons estúdios, enfim... coisas que os EUA tem...
JOHN:
 Sempre que você volta para sua casa você é bem vindo. Em 2003 e 2004 eu fui lá pela primeira vez e foi uma experiência indescritível. Encontrei-me com a família e com amigos dos meus colegas. Sempre que estou lá, gosto de andar com eles. É um país bonito, mas não exatamente a terra do Rock. E isso pesou bastante para eles saírem de lá. A América ajudou muito eles. Na África do Sul não tem uma indústria da música, não no mesmo nível dos EUA. Os meninos eram muito jovens quando se mudaram para os EUA. Eles tiveram que deixar família e amigos para chegar em um lugar onde a industria atuava. Eu aprecio muito essa dedicação deles. Aproveitaram a oportunidade que tiveram, em nome da música.

Dave Cohoe
P: E na África permaneceu o baterista original da banda...
JOHN: 
Dave Cohoe, que gravou o álbum Fragile, acabou ficando por lá com a família. Ele era um pouco mais velho, já tinha filhos. Em 2002 a banda gravou seu primeiro disco sob o nome Seether. Onde quem tocou foi o Josh Freese (Guns N' Roses, Nine Inch Nails e A Perfect Circle). Em seguida houve um tipo de rodízio. No Disclaimer II, foram eu, Freese, Cohoeho e o Nick Oshiro (Static-X). Na verdade foram colaborações com a banda.

P: Para a banda deve ter sido uma luta não é? Afinal, deve ser muito mais fácil encontrar bons guitarristas do que bons bateristas.
JOHN: 
De um modo geral você tá certo, mas nos EUA nós temos muitos bons bateristas. Nós trocamos mensagens entre nós, e de verdade, é uma dura luta. Pra mim é uma benção tocar no Seether. Eu estou nessa banda faz tanto tempo e fico feliz por conseguirmos tal sucesso.

P: Vocês estão trabalhando em um novo álbum? Quais são os desafios agora, especificamente?
JOHN:
 Recentemente fizemos uma coletânea com as melhores músicas, chamada 2002-2013. Saímos de férias e depois montamos o disco Isolate and Medicate que saiu no início deste ano. Pra mim, pessoalmente foi mais um grande desafio, porque algumas músicas pediram algumas técnicas diferentes. Não é nada muito anormal, mas pra mim foi interessante. É emocionante pensar sobre as coisas novas que eu posso contribuir para o Seether. Eu tento sentir cada música, para assim poder colocar partes interessantes de percussão, e graças a isso, algumas partes da música se destacam mais. Afinal, a bateria é uma parte importante do processo. Elas estão envolvidas em moldar a emoção e a energia da composição. Eu gosto de participar do processo de composição também.

FONTE: Muzikus.Cz

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