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Shaun explica porque trocou a Schecter pela EB Music Man

 




Em entrevista realizada no começo de Setembro a Justin Beckner, do site Ultimate Guitar, Shaun Morgan falou sobre sua recente mudança das guitarras Schecter para a Ernie Ball, abordando também um pouco da sua juventude e do início de sua jornada musical. 

UG: Recentemente vi você tocando com uma guitarra Ernie Ball Music Man, acho que era um modelo Stingray... O que provocou essa mudança de Schecter para Ernie Ball?

S: Foram algumas coisas. Acho que meu relacionamento com os caras da Schecter estava chegando ao fim. Com o passar dos anos isso azedou um pouco, por algum motivo, ou talvez tenha apenas diminuído, sei lá... Eu realmente não estava feliz com a forma que vinha sendo tratado e disse isso para eles em algumas ocasiões. Eu simplesmente sentia que não tinha importância pra eles como músico. Então eu disse: "Tudo bem, irei para outro lugar". 

Meu técnico e eu estávamos conversando sobre outras marcas de guitarra e, enquanto eu olhava ao redor, ele procurou alguém na Ernie Ball para falar sobre cordas e eles perguntaram se poderiam me chamar para um vídeo. Então ele perguntou a eles sobre guitarras e ficaram interessados, e eu fiz um acordo com eles a cerca de um ano e meio atrás.

Eu amo guitarras e realmente gostei das Schecters. Eu achei elas ótimas e ainda me deram meu próprio modelo, e não acho que eu merecia, mas foi bacana, um modelo Mosrite. 

Sempre amarei essas guitarras, mas quando você toca uma Music Man e compara com a Schecter, é uma diferença de qualidade muito grande, você sabe... É um grande salto de qualidade. 

Music Man's são feitas nos EUA, são guitarras lindas e soam incríveis, então sim, eu apenas pensei que havia chegado a hora de mudar. Senti que algo estava errado e eu precisava de uma mudança de cenário.

Sabe, as vezes as coisas simplesmente desmoronam e acho que infelizmente foi isso que aconteceu lá. Estou feliz na Ernie Ball, os caras tem sido ótimos comigo. 


UG: Houve alguma conversa sobre um modelo seu com eles? 

S: Não. Não acho que isso seja algo do meu interesse no momento. Eu também nunca achei que merecesse ter um na Schecter. Mas foi legal dizer que eu tive. 

Eu realmente não acho que eu seja talentoso o suficiente para ter algo assim, talvez no futuro. No máximo será algo personalizado para o meu gosto pessoal. Coisas mais simples como remover o coletor e ter apenas um interruptor para desligar ou um botão de volume específico, sei lá, eu mantenho as coisas muito simples. 

Pedi que personalizassem algumas guitarras como essa pra mim. Essa seria a única razão pela qual eu consideraria uma nova série exclusiva. Fora isso, eu tô muito feliz por tocar o que eu tenho agora e sou muito grato por ter a chance de tocar essas guitarras. 


UG: Você já passou por aquela fase de "destruição" que a maioria dos guitarristas passam?

S: Não, honestamente isso nunca me interessou. Quando eu estava na escola havia dois tipos de músicos: havia os caras do Metallica e depois havia os caras do Nirvana e do Grunge. 

Os caras do grunge tocavam guitarra nesse estilo com Power Acordes e coisas do tipo, enquanto os caras do Metallica queriam "triturar". Nunca me interessei por isso. Não me excita de forma alguma. 

Eu gosto de melodia. Para mim, alguns dos melhores solos são como os solos do Pink Floyd, são assustadores e memoráveis. 

E necessário ter talento para "destruir", e muito tempo. Nunca tive energia pra isso. Eu nunca vi razão pra entrar nisso se não gostasse de "triturar". Para alguns caras, é como um selo de honra de ele puder tocar 1500 notas em 30 segundos ou algo do tipo. 

Olhe para um cara como Mark Tremonti. Esse cara é incrível. Ele arrasa de verdade. Eu amo o cara, sou amigo dele. Mas pra mim, ser assim, é algo que nunca me interessou. Então eu nunca tive uma fase de trituração. Tive momentos experimentais em que tento aprender algo. Sempre me interessei mais por melodias e criar algo realmente cativante, que seja tão memorável, interessante e assombroso quando crio solos. 


UG: O que sempre me chamou a atenção na sua música foi a emoção crua por trás dela. Quando você percebeu que a música poderia ser uma válvula de escape, algo terapêutico pra você?

S: Provavelmente quando eu estava sentado na casa dos meus pais. Simplesmente não havia nenhuma forma de comunicação com eles que fizesse qualquer tipo de progresso. Eles não entendiam porque eu queria tocar músicas. 

Eles pensavam que eu era apenas um garoto melancólico. Eles até me levaram em um terapeuta e me deram remédios para depressão. Naquela época eu costumava escrever muita poesia e tinha pastas e livros onde eu rabiscava coisas e desenhos. 

Eu fazia parte de um círculo bastante artístico. Nós sentávamos na aula e escrevíamos uma história. Escrevíamos o primeiro parágrafo e passávamos para o próximo, e ele escrevia mais um, e assim girávamos. 

Foram tempos ótimos, eu realmente gostei. Eu era um atleta. Ao mesmo tempo jogava Rugbi, Criquete e todos os esportes. Mas tinha alguns amigos que não jogavam e eles eram os garotos das artes. Isso foi terapêutico pra mim. 

Eu sabia quando era criança, sentado naquele quarto, que cada vez que eu escrevia uma música ou tocava violão, isso me fazia bem. 

Eu poderia ter o pior dia, e depois pegar a guitarra. Haviam dias em que eu realmente estava disposto a me machucar seriamente e tocar guitarra foi o que me ajudou a superar isso. Então quando eu tinha 15 ou 16 anos percebi que não fazia isso só pra me divertir, mas que era algo que precisava ser feito. 

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