O dia em que Chris Cornell pediu um favor a Shaun
Shaun Morgan passou a maior parte do seu tempo subindo nos abacateiros existentes na fazenda de porcos da sua familia, na África do Sul, uma rotina que se manteve até completar seus 14 anos de idade. Porém, em 1991, o lançamento do álbum Nevermind do Nirvana, mudou pra sempre sua vida. Dali por diante, Morgan trilhou seu sonho da Pretoria, até os Estados Unidos, onde formou o Seether, a banda de rock mais bem sucedida do país.
O início foi em uma banda cover de Tom Petty e Creed. Logo em seguida integrou um quarteto chamado Saron Gás. O curioso é que Morgan substituiu o vocalista original após o mesmo não comparecer a um show.
Em 2000, o trio lançou o disco Fragile, mantendo o nome Saron Gás até o ano de 2002 quando lançaram o aclamado Disclaimer, já sob o nome de Seether.
Fine Again e Broken foram os primeiros grandes sucessos da banda.
Mesmo assim, Morgan continua sendo um dos caras mais humildes de uma indústria repleta de egocentrismo, o que de forma alguma pode ser tratada como uma falsa-humildade. Para um homem vindo de uma fazenda de porcos em Bloemfountein, mundialmente conhecido como o líder de uma banda de rock sul-africana aclamada globalmente, Morgan diz que de certa forma tudo ainda parece um sonho. Ele não tenta invalidar tudo o que conquistou, mas sim apenas aceitar isso.
"Eu recebo atualizações, anúncios, ouço as músicas no radio e me pergunto: Isso é real?"
Dono de uma generosa modéstia, Morgan tem uma alma empática e reconhece as mudanças sociais que dividem e distanciam as pessoas. Isso se reflete no novo álbum, Si Vis Pacem, Para Bellum (Se você quer paz, prepare-se para a Guerra), que questiona o quão normais muitas de nossas normais culturais recém-aceitas, realmente são.
"Há um equívoco geral de que o álbum é político, e geralmente evito isso. É mais um comentário geral sobre o foco das mídias sociais e sua destruição das relações interpessoais e da sociedade como um todo. É muito estranho que as pessoas prefiram se comunicar por texto, e-mail ou telefone, o que considero prejudicial à sociedade, especialmente as crianças de hoje".
Após ter filhos, Morgan começou a ver o mundo de uma perspectiva diferente. Ele afirma que no auge dos seus 20 anos, tudo que importava para ele era ficar bêbado, chapado e fazer shows.
" Agora sou pai, tenho família, e as coisas ficaram mais calmas. Presto mais atenção no que está acontecendo ".
Essa mudança impactou sua composição, que reflete mais a consciência de um pai dedicado do que de um rebelde raivoso. Até agora, Morgan permaneceu fiel ao seu papel de fã do Nirvana, usando seu sons e dinâmicas singulares como referência para o Seether.
Um exemplo disso é o abandono deliberado de Kurt Cobain em letras sensatas, para ir além das palavras, em um terreno de grande intensidade emocional. Morgan deixou isso fluir naturalmente ao moldar suas próprias letras, criando clássicos como Fine Again, Remedy, Fake It e Rise Above This. Sua "propensão a Prosa Roxa", como disse um crítico, diminuiu com o passar dos anos para abraçar uma nova lucidez em suas letras. Porque ao contrário de seu ídolo, a vida de Morgan não acabou as 27 anos, mas sim se expandiu. A paternidade, somada ao sucesso global e a fama, o mudaram. Ainda entregando sua fusão característica de melodias perfeitas com músicas pesadas e intensas. O foco de suas letras evoluiu.
"Dangerous", primeiro single do novo álbum, casa sua dinâmica semelhante ao Nirvana com uma perspectiva colorida pela paternidade em tempo real de uma filha adolescente. As novas canções de Si Vis Pacem, Para Bellum, representam uma mudança de quando aquelas ideias que o atormentavam como pai e como pessoa sangravam através das letras.
" Normalmente não tenho planos de escrever. Mas meu primeiro pensamento foi de que era preciso criar cadência, melodia e uma palavra. Originalmente era, "é tão perigoso, é tão perigoso" e eu pensei que repetir isso se tornaria algo preguiçoso. Mas eu sempre gostei de rimar, então começou a tomar forma do refrão aos versos. E muito desse comentário social penetrou os versos, sem ser específico o suficiente para deixar as pessoas desconfortáveis ou entender o que estou dizendo. No fim do dia sou eu olhando para a sociedade e dizendo: Vocês estão se matando. "
" A linha na ponte que realmente denuncia isso é 'seu nome foi verificado'. Mas não acho que eu quis dizer isso de forma sutil, eu realmente quis mostrar o exagero ".
Seu amor por rima e ritmo começou no colégio, onde ele citou seus professores de inglês como seus maiores encorajadores. Ele se destacou em inglês, na África do Sul, onde deram ênfase em aprender a beleza e a atemporalidade dos sonetos de Shakespeare, algo que não tem o mesmo peso nas escolas americanas. E quando ele precisava de um "contra-ataque" às suas falas elisabetanas, se viu fascinado por músicas de pura escuridão emocional, como Nick Cave, The Cure, Nirvana e Pearl Jam.
" Muitas das músicas que eu escuto são cheias de letras bem pensadas. Eu gosto de Nick Cave para imagens mais sombrias e adoro The Cure. Eu sempre pensei que eles eram uma poesia gótica romântica. E enquanto eu crescia, eu era um fã de Nirvana e Pearl Jam, e suas letras as vezes eram quase vagas e sem sentido ".
"Visualmente eu sou um fã da simetria. Eu realmente aprecio a ordem disso. Então talvez haja um pequeno nível de TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) em mim. Acho que é mais difícil rimar palavras quando elas tem o mesmo sentido".
Morgan produziu o novo álbum pela primeira vez, tendo sido assistido por Brendan O'Brien (Pearl Jam, Stone Temple Pilots, Bob Dylan).
" Eu experimentei produzir o último álbum. Tínhamos grandes produtores antes, como o próprio Brendan, e aprendi muito com ele. E quando fizemos um segundo álbum com ele. Eu sempre o admirei. Ele até me defendeu contra as gravadoras quando disseram que precisávamos trazer outro compositor. Ele me ajudou a me sentir mais confiante, ao ver as coisas como um produtor. "
" Há produtores que vem e ajudam as bandas onde é necessário, e existem aqueles que querem mudar tudo para fazer a banda soar como eles acham que é certo. Eles acabam usando o mesmo som de guitarra ou tons de bateria em todos os álbuns porque encontraram um nicho, e você acaba tendo um monte de bandas diferentes que soam todas iguais, embora possam ser musicalmente diferentes ".
Morgan também fez dos seus equipamentos pessoais um fator no processo de produção para que eles pudessem aderir ao seu som em várias plataformas e situações, ao vivo versus estúdio.
" É importante usar a minha própria guitarra, amplificadores e microfone. Pode parecer que isso não faça diferença, mas quando você vai mais a fundo, percebe que há uma certa razão pela qual soamos de uma forma ao vivo diferente daquela que nos mostramos nos álbuns. Quando tocamos ao vivo, usamos aparelhos diferentes. Não tocamos com Gibsons através de amplificadores Marshalls, mas com Schecters ou Music Mans através de Mesas ou Bogners, então é um som completamente diferentes".
Mesmo com o Seether tendo tocado em festivais como o Ozzfest, Rise Above Fest, e participado de turês com o Audioslave e tantos outros, Morgan disse que ainda não pensa em si mesmo como um Rockstar.
" Não pensei que faríamos isso por 20 anos. Pensei que pudéssemos continuar, e ter um ou dois álbuns, e depois diríamos o quão legal foi fazer isso. Eu realmente pensei que um dia nós voltaríamos rastejando de volta para nossos buracos e vidas antigas. É maravilhoso ainda estar fazendo isso, e ganhando a vida ".
Dentro do caos perpétuo estonteante de incontáveis festivais ao redor do globo, alguns momentos se elevam acima de outros. Para Morgan, existe um momento que encerra seu ciclo de jovem sonhador para o status atual. Nos bastidores da turnê do Audioslave em 2005, o falecido Chris Cornell lhe pediu um favor.
" Chris me pediu para cantar "Fell On Black Days" com ele no palco. Era só eu, ele e um violão. Eu tinha 26 anos na época e 10 anos antes estava em um bar tocando a mesma música, mas terrivelmente. Achei que não conseguiria, mas foi a coisa mais legal que fiz na minha vida ".
" Chris me pediu para cantar "Fell On Black Days" com ele no palco. Era só eu, ele e um violão. Eu tinha 26 anos na época e 10 anos antes estava em um bar tocando a mesma música, mas terrivelmente. Achei que não conseguiria, mas foi a coisa mais legal que fiz na minha vida ".
Quando Morgan projeta seu futuro, ele fica feliz em saber que o Seether não precisará voltar "rastejando" para os buracos de suas vidas anteriores.
" Somos apenas uma banda de rock, que toca rock. Sempre quero sentir que escrevi algo honesto liricamente e que emocionalmente vem de alguma experiência, mesmo que seja divertido de tocar. Não sei como o próximo álbum vai soar, mas conheço a abordagem. Vou sentar nessa sala, horas por dia e escrever música. Algumas músicas colocarei em uma pasta, e outras talvez em uma pasta diferente para lançar depois que eu morrer. É preciso escrever músicas ruins para conhecer as boas ".
FONT: American Songwriter
" Somos apenas uma banda de rock, que toca rock. Sempre quero sentir que escrevi algo honesto liricamente e que emocionalmente vem de alguma experiência, mesmo que seja divertido de tocar. Não sei como o próximo álbum vai soar, mas conheço a abordagem. Vou sentar nessa sala, horas por dia e escrever música. Algumas músicas colocarei em uma pasta, e outras talvez em uma pasta diferente para lançar depois que eu morrer. É preciso escrever músicas ruins para conhecer as boas ".
FONT: American Songwriter

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