Shaun rasgou o verbo, falou sobre saída de Troy, Holding OnTo e seu relacionamento com sua mãe.
Voltando com a nossa seção retrô e fazendo a nossa primeira postagem desse ano de 2016, resolvemos mexer no baú das entrevistas do Seether e trazer uma das mais polêmicas já dada pelo vocalista Shaun Morgan. Nesse bate-papo com o portal Loudwire, o músico falou sobre o álbum Holding OnTo Strings Better Left To Fray, sobre a saída de Troy McLawhorn e até sobre o relacionamento com sua mãe.
Confira a baixo a pequena e polêmica entrevista:
1: O Nome Holding OnTo Strings Better Left To Fray é um pouco grande. O que ele significa pra você?
S: É sobre libertar seus pensamentos e demônios, e principalmente lidar com seus relacionamentos, amigos, familia, as pessoas com quem você compartilha o mesmo espaço. É apenas ser capaz de crescer e compreender quando algo é ruim pra você. É aceitar um ambiente sem sentido e perceber que nada disso vai melhorar. É entender que é inevitável o fracasso de um relacionamento, é se perguntar o porque você vai continuar se sabe que no final vai dar errado?
Eu tive que lidar com algumas pessoas na minha vida e o caminho ao longo do tempo só se tornou tedioso, um exemplo disso é minha mãe, eu não falo com ela. Ela simplesmente não é uma boa pessoa. Foi uma decisão difícil que eu tive que tomar, mas eu fiz isso porque ela nunca vai mudar a pessoa que ela é. Toda vez que eu baixei minha guarda, fingi que estava tudo bem e deixei ela entrar, foi um enorme esforço em vão, porque nada mudou. Em 32 anos eu só precisava seguir em frente.
2: Esse foi o primeiro álbum da banda em algum tempo, qual sua inspiração para escrever e em que a gravação diferiu dos álbum anteriores?
S: Esse disco levou muito mais tempo para escrever. Ao invés de escrevermos por seis meses, escolher as músicas e gravar, nós decidimos fazer por partes. No começo escrevemos várias músicas e só pegamos quatro delas, registramos e depois continuamos escrevendo outras. Então basicamente ficamos nesse círculo. Escrevíamos um monte, selecionávamos algumas, registrávamos e começávamos a escrever um monte de novo. Então foi um processo cansativo, diferente para nós. Eu gosto de escrever as músicas, selecionar e cair na estrada.
Acho que tudo isso nos permitiu olhar de uma maneira diferente para as músicas e realmente ser críticos delas. Realmente dizer: "Ok, agora que fizemos isso podemos dizer que cada música é tão boa ou melhor do que aquelas que nós já tinhamos feito e se não forem, podemos arquivar e apenas escrever outras canções". Pela quantidade de tempo que levou, bem mais do que planejávamos, acabou nascendo um álbum em que podemos dizer que do começo ao fim, é um trabalho completo.
Parece que nenhum elemento da banda está faltando, por exemplo, nós queríamos ter certeza que nosso lado pesado foi representado, que o lado iluminado tenha sido representado, assim como o lado Pop e o lado Metal. Normalmente quando você tem um prazo definido para escrever, acaba não conseguindo explorar todos os seus pontos, porém com um espaço maior, o trabalho se torna mais diversificado e completo.
Acho que essa foi a chave para nós. Não sei se queremos gastar tanto tempo assim no próximo lançamento, mas acho que uma coisa importante que aprendi foi: "Nós não podemos parar até que o álbum esteja realmente finalizado em nossas mentes". Quando finalmente todos ficamos feliz com o disco olhamos um para o outro e dissemos: "Agora podemos lançar".
3: Vocalmente você experimentou algumas coisas novas nesse álbum, foi difícil pra você inovar, ou as coisas surgiram naturalmente durante o processo de gravação?
S: Sim, eu acho que não foi uma coisa planejada. Simplesmente começamos e eu fui vendo até onde poderia ir com o vocal. Demorou um pouco, nos dias de hoje, você escreve a música aí conclui, tem as letras, vocais de todo o tipo, juntos, rapidamente, é mais de um processo é algo muito mais analítico. Definitivamente eu não me contive, eu estava feliz com a forma como os vocais estavam soando no final do dia, porque eu não tava me sentindo amarrado ao que os produtores queriam. Ninguém tava me dizendo: "Ok, é isso que você tem que fazer". Os produtores antes diziam o que eu tinha que fazer.
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| John Humphrey e Shaun Morgan em estúdio |
4: Você pode falar sobre a música Tonight? Musicalmente e um pouco liricamente?
S: Foi uma demonstração do que eu tinha, basicamente, eu iria ficar em casa e escrever u m monte de coisas, colocar no meu Ipod e ouvir. Assim eu chegaria em melodias e etc... Na verdade eu tinha esquecido dela, e estávamos em Nashville encerrando o álbum e haviam outras canções que poderíamos usar como singles.
Acontece que estávamos passando em um Drive Thru, pegando o café da manhã, e o Ipod tava no modo shuffle, foi quando de repente começou a tocar ela. Os caras viraram e disseram: "O que é isso? Porque não estamos gravando isso?" Então chegando no estúdio eu corri para uma salinha, e gravei uma ideia de verso e refrão no meu laptop mesmo, usando apenas um microfone. Nós já tinhamos guardado toda a bateria, as guitarras e todo o resto, então tivemos que pegar tudo de volta para começar a gravar. Ficamos até tarde da noite no estúdio até acabar. Quando terminamos, ficou evidente que faltava essa música no álbum. É engraçado que ela tenha surgido no IPod, se não fosse ele provalmente ela seria mais uma das tantas demos perdidas que tenho. Eu tenho uma centena de músicas no meu Ipod que nunca mostrei a ninguém, seja por ter esquecido ou por simplesmente não me sentir confiante devido ao fato delas nunca terem sido acabadas.
Liricamente ela era muito mais obscura e eu não estava feliz com a maneira como soou, então decidi abandonar tudo e começar do zero. Levando com notas mais positivas, eu acho que era algo necessário para um álbum que lida com emoções intensas. É bom ter algo lá mais leve e esperançoso. Ela é a uma versão do que você consideraria a nossa "canção de amor". Eu estou contente por ela estar lá, significa muito pra mim e ela precisava estar lá no meio do álbum, para dar uma "respirada" no trabalho. A experiência precisa ser algo emocional, mas nem sempre precisa ser algo "carregado".
5: O Seether consegue perseverar a muito tempo na indústria, o que não é comum nos dias de hoje. Qual o segredo para a sua longevidade?
S: Essa é uma pergunta interessante. Quando chegamos pela primeira vez a moda era o EMO, depois o Screamo, e nós não nos sentiamos a vontade. Sempre tem aquela onda do Punk-Pop que também veio e se foi. Há mais fases do Rock onde suas bandas estão mais preocupadas com a cor dos cabelos do que com a própria música, e não somos assim. Eu sinto que não há tanto potencial no que fazemos, é algo produzido com o coração mesmo.
Nós somos honestos com nós mesmos. Para manter aquilo que acreditamos e escrevermos boas músicas, nós temos que gostar do que tocamos. Se elas forem liberadas nas rádios e tivermos que tocá-las por anos, tem que ser algo que acreditamos, que gostamos, se você não fizer isso, então se verá em um buraco pelos próximos 10 ou 20 anos, em que você terá que tocar algo que vc não gosta, não acredita. Nós sempre fomos fieis a nós mesmos nesse aspecto, e como uma banda, como um conjunto de rapazes que concordam que uma música é boa, se estamos orgulhosos dela, e finalmente gostamos de ouvi-la, então é uma boa coisa.
Nós não somos os melhores guitarristas, os melhores baixistas, bateristas ou cantores, mas acho que a nossa combinação é uma coisa poderosa pra mim. De todas as bandas que eu estive na minha vida, essa é definitivamente a que fez mais sentido. É a mais coesa e criativamente o que sai de três caras é o que eu sonhava em tocar quando eu era apenas um garotinho com uma guitarra.
Nós estamos chegando mais perto de um lugar onde podemos ter um tipo de som diferente, mas estamos apenas fazendo aquilo que gostamos, o que gostamos de tocar, apenas sendo honestos com a música, com a letra. Não nos levamos muito a sério, apenas subimos no palco, sem nenhum alarde, sem nenhum ritual. A gente apenas sobe lá e se diverte. Nós sabemos quando as pessoas vem nos ver tocar, que as músicas não vão soar como são no álbum. Não temos outros três guitarristas, não temos uma seção de cordas ou alguém tocando piano.
Eu acho que ao vivo, as músicas devem ser capazes de traduzir como elas realmente são, a maneira como elas foram escritas. Um álbum é uma série de coisas, porque você quer torná-lo mais interessante, esse é seu objetivo. Você quer colocar o máximo que puder nele, porque você só tem uma chance. Enquanto você viver, ele estará com você lá, toda noite. É sobre reproduzir suas músicas e se divertir com elas e tentando realmente fazer as pessoas sentirem o mesmo.
6: Por favor, compartilhe seus pensamentos sobre a saída do guitarrista Troy McLawhorn.
S: Bem, você não pode fazer alguém ficar feliz em uma situação onde eles não estão. Não pode fazer alguém acreditar em algo que você acredita ou fazê-lo ver da mesma forma que você o vê. Ele saiu, e infelizmente foi para o Evanescence, que é a sua cara. Acho que sempre houve uma rivalidade da Amy comigo. Se ele é mais feliz lá, então boa sorte pra ele, somos felizes aqui.
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| Troy ao fundo em apresentação do Seether |
Ele saiu porque quis. Eu só não gostei da forma como ele lidou com isso na época, então fiquei chateado. Mas não há nada que eu possa fazer sobre isso. Finalmente, no fim do dia, depois do choque inicial e da raiva passar, você percebe que está melhor assim, e é dessa forma que nos sentimos.
Nós nos divertimos bastante em três caras, e eu sinto que tentei fazer algo desnecessário também. Foi meio patético ele estar no álbum e meses depois sair, mas se ele é feliz assim, então boa sorte pra ele. Nós certamente estamos muito melhor sem ele. Com certeza acho que nunca mais vou ser amigo dele novamente, mas não há nenhuma animosidade por parte dos outros caras. Eu pessoalmente não tenho nenhum rancor ou ressentimento, mas não vou implorar pra ninguém ser meu amigo.
7: Quais os planos para a turnê de 2012?
S: Nós estamos indo para alguns países que não vamos faz um bom tempo e até para alguns que nunca fomos. Em seguida faremos uma turnê europeia com o 3 Doors Down. Eles nos levaram pra fora em nossa primeira turne, em 2003, então os conheço a muitos anos. Eles são grandes caras e nos divertimos muito juntos. São grandes amigos nossos. Eles cuidam da gente e nós cuidamos um dos outros. Aparentemente existe algumas coisas em andamento para Abril de 2012 mas nada está confirmado ainda. Uma turnê é difícil, e as pessoas estão sentindo isso. Elas estão passando por uma crise financeira e nós entendemos isso, temos que ser inteligentes. Estamos tentando ver uma forma de cortar custos para todos os envolvidos.
FONTE: Loudwire



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